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Jacaré na Copa

Descendo do Metrô na estação Maria da Graça já se vê o verde e amarelo pelas janelas. "O Jacarezinho é logo ali, você ainda não viu nada". A comunidade, umas das maiores favelas do Rio de Janeiro, com cerca de 90 mil habitantes, está em clima de festa: ruas, casas, lojas e pessoas torcem não apenas pelo Brasil, mas por um novo Brasil. 

Um lugar aparentemente tranquilo, se não fosse pelo barulho ininterrupto de vuvuzelas - principalmente durante o jogo - ou um pagodinho alto, só pra relaxar. Pelas ruas, motos se misturam a toda velocidade junto com crianças, adultos, cachorros e todo o resto. 

O povo, como bons cariocas, hospitaleiros. "Tomem um cafézinho aqui depois do jogo", "A gente te acompanha até o metrô na volta, não se preocupe".

Na segunda, dia do jogo do Brasil, saímos  com a Débora, o David, o China e a pequena Barbara (parentes da minha amiga) pelas ruas de lá. Uma cena era comum: grandes TVs viradas para a rua por todos os cantos. 

É interessante que não assistimos o segundo tempo do jogo, mas em nenhum momento paramos de ouvi-lo. 

Galera, churrasco, cerveja e futebol.

E a cada gol, uma vibração maior.

Se eu fosse para o Rio de Janeiro e não conhecesse uma das comunidades, pra mim, não seria ir para o Rio. As praias são lindas, o Cristo é realmente muito alto e a Lapa é o lugar perfeito pra quem gosta de um bom samba. Mas a cidade é muito mais do que isso...

Dois dias é muito pouco pra conhecer a fundo uma comunidade. Mas é suficiente para ter algumas primeiras impressões. 

Me arrisco a dizer que me senti em casa. Mesmo com todos os problemas, desde os mais visíveis, como o lixo pelas ruas ou a falta de infra-estrutura das construções, até o tráfico, que ainda acontece, mas um pouco mais por baixo dos panos depois da entrada das UPPs, o clima me lembra de quando eu era criança e morava em Colombo. Eu ficava pela rua com meus vizinhos: andando de bicicleta, correndo de um lado pro outro e ouvindo os gritos das mães pedindo pra voltar pra casa, porque era hora de fazer lição ou para tomar cuidado.

As crianças de lá vivem assim. 

4x1. O jogo acaba e a festa pelo Jacarezinho está só começando. Pelo jeito, a noite vai ser longa por ali. 

E eu, vou me embora. Com a certeza de até breve. 

Isabella LanaveComment