JULIA

No meio do nosso ensaio, deitada no sofá de madeira com almofadas brancas, usando o seu vestido verde florido, ela diz que não gosta de fotos da sua cara. Báh. Pronto. Fotografar pessoas é sempre um desafio. Mas, depois dessa, eu cheguei a pensar que não sairia nada dali. 

Conheci a Julia em 2013, como a amiga de um amigo do curso de direito. Demorou um pouco pra essa distância diminuir. Me lembro do dia em que nos encontramos no lançamento de um livro, com o show do Chico Paes. Não sabíamos, mas éramos duas fãs loucas com as músicas na ponta da língua - cada qual com sua história de amor que antecede o vício. 

No mesmo dia, estava com mais três amigos, que imediatamente se identificaram com a Julia. Astrologia, música ou fotografia, poderíamos conversar sobre qualquer coisa. Confesso que, em alguns momentos, fiquei constrangida com a altura da voz que as meninas conversavam. Estávamos num café extremamente pequeno, com mesas bem próximas umas das outras e a nossa mesa era a única que ecoava vozes - a da Julia - por todo o espaço. 

Nos encontrávamos sempre em aniversários, bares ou festas. Quando voltei do México, a Julia foi uma das amigas que eu chamei pra vir almoçar na minha casa. Nunca fomos tão próximas, confidentes, mas sempre que a gente se encontra é como se fossemos melhores amigas. Sem nenhum caô. 

Fotografa-la era uma das coisas que eu queria faz tempo. Talvez desde que comecei com essa ideia de fotografar mulheres. Julia tem uma personalidade que eu sempre admirei: uma mulher forte, que não deixa nenhum tipo de mal entendido pra depois. "Não foge a guerra", como alguns diriam.  E fico feliz que, num contexto de tantas violências sexuais, assédios e abusos, tenhamos mulheres com essa força. Que um dia todas nós não precisemos mais passar por nenhum tipo de violência e se passarmos, sejamos fortes para vence-las. 

Por isso deixo que as palavras da Julia terminem esse ensaio. Elas podem dizer muito mais do que as minhas.

"o corpo é meu. e não foi fácil entender isso. e quando eu digo é meu, é m-e-u. eu escolho como cuidar. sempre fui desleixada. nunca usei cabelo arrumadinho. hidratação nos cotovelos. ou bebi muita água. 

mas a gente vai amadurecendo, vai vendo como é bom cuidar de si por si. enquanto eu esperava que viesse uma fada madrinha em forma de vó/tia - como no diário da princesa - que ia me tirar daquele cenário e me levar para um castelo, nada fazia, porque para nada serviria. até o momento que percebi que sou eu por mim e que ninguém vai me encher de amor mais do que eu mesma quando me cuido, me preservo. 

mostrar esse corpo é mostrar um pouco do que me tornei, do que sou eu. me amar e expressar esse amor em forma de cuidado é um exercício diário. há muito o que aceitar, evoluir, mas já me faço mais feliz com meu corpinho e isso é libertador."

GUADALARANCHO

Hace un año que llegue alla. Calle Mezquitan, 579. 

Hace un año encontré amigos. 

Hace un año descobri un poquito del poquito del poquito de México. 

Y descobri que la maiz, diferente de los humanos, pueden vivir todas juntas. Sin que una pase arriba de la otra. 

Me fue de viaje.

Vivi la noche de los muertos en un cementerio.

Conoci los TACOS. (Grand importancia en mi vida)

Me hice de fotoperiodista y estaba en todas las manifestaciones de Guadalajara. 

Hace un año que me enamore del mercado viejo de la ciudad.

Hace un año.. aprendi a mirar tambien para mi.

Aprendi lo necesario: saber decir adios. Saber dejar ir. Vivir. 

"Somos viento, que vuela y regresa
somos agua, que corre y fluye
somos fuego, que aprende, que apasiona
somos tierra, que da semilla y frutos
Para siempre porque somos infinitos.
Asi de repente y fugas
pero fuerte y apacionante"

Hasta luego, México. 

Los quiero. A todos que pasaran por mi de alguna manera. Mis ojos hacen como la lluvia, caen cuando estan llenas de agua. Pero yo, estoy llena de saudades.