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Silva ou Sliva?

Como diria um amigo professor, quem é pessimista quanto aos jovens não conhece a dona Laura! 

A parede do quarto reflete um pedaço dessa, que é uma das meninas mais inteligentes que eu já conheci. A tal "Laura que foi pro intercâmbio", famosa na faculdade, faz jus a sua fama. 

Já fazia quase um ano que falávamos em fazer um ensaio. De última hora, marcamos o dia e a hora e lá fui eu encontrar essa doce menina, mulher! 

Foi o ensaio mais rápido que eu já fiz! Na verdade, foi mais uma troca de conversas e risadas do que qualquer outra coisa. Sem pretensão de nada, pegamos umas roupas legais, buscamos um bom espaço no lugar e listo - como diriam os mexicanos!

Eu gosto muito de fotografar mulheres. Principalmente se são pessoas próximas a mim, amigas, primas, tias. Não levo jeito para produzir um espaço, pensar na melhor roupa ou no melhor lado a ser fotografado.

Por isso que tento sempre ir seguindo os movimentos...

Com a Laura foi assim. "Isa, o que eu faço agora?" , "Ih, Laura, anda pra lá, mexe no cabelo, olha pra mim, mas não para não, continua fazendo que eu vou fotografando aqui!".

As vezes dá certo! :)  

Quase terminando, descobrimos uma luzinha linda vinda da janela do banheiro. E por que não tomar um banho, para se refrescar, nesses aleatórios calores curitibanos? 

Fazia um tempinho que eu não fotografava assim, mulher, na própria casa, ou no lugar onde se sinta mais a vontade. Um projeto que comecei ano passado e acabei deixando de lado por uns meses.

O ensaio com a Laura é apenas uma pitadinha do que eu quero trazer por aí! Com ela mesmo e com outras mulheres, homens, famílias, que tenham interesse em participar. 

 

Por enquanto, só tenho a agradecer a Laurita que só depois de muito tempo fui descobrir que era SLIVA e não Silva. rs. 

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Sobre ser turista

"Só existe a beleza que se diz. Só existe a beleza se existir interlocutor. A beleza da lagoa é sempre alguém. Porque a beleza da lagoa só acontece porque a posso partilhar. [...] Todas as lagoas do mundo dispoem de sermos ao menos dois. Para que um veja e o outro ouça. Sem um diálogo não há beleza e não há lagoa."

                                                                                       A desumanização. Valter Hugo Mãe.

Descobri que talvez eu não sirva para ser turista, dessas que passam em diversas cidades numa só viagem. É que tudo bem, é divertido, é legal conhecer lugares, ver coisas que a gente só vê nos livros de história e se maravilhar com tudo isso. Mas chega um momento que isso é pouco. Como dizer que eu conheço uma cidade depois de passar apenas poucos dias por ela? Ou sem se quer conversar com uma pessoa more por lá?

E não é só pelo fato do tempo ser pequeno, isso também influencia, é claro. Mas é difícil absorver sozinha, como turista, uma cidade. Talvez eu nunca consiga absorver nenhuma, nem a minha. Mas me sinto perto disso quando pelo caminho encontro pessoas e histórias, que me fazem sentir um pouco mais próxima do lugar. E são essas umas das mais belas recompensas de uma viagem! 

Um certo amigo me disse uma vez que "você só conhece uma cidade quando lembra do cheiro dela." Talvez eu lembre do perfume de algumas, poucas. Mesmo tendo pouco tempo consegui aproveitar e dividir alguns momentos com pessoas que fizeram com que essa viagem valesse a pena. 

Manhattan, NY

Manhattan, NY

New York: uma cidade sem fim. 

Manhattan, NY

Segunda, sábado, quinta, de dia, durante a noite, ou em qualquer horário você encontra lugares abertos e pessoas pelas calçadas. O que me parece é que não existe uma hora do rush, pois ela se estende por todo o dia. Pelo menos no centro de Manhattan. 

Loja da Apple. Manhattan, NY. 

Me senti como uma pequena passageira andando pela cidade.

 Grand Central Station 

 Grand Central Station 

 Grand Central Station

 Grand Central Station

 Grand Central Station

 Grand Central Station

Inaugurado em 1913, a Grande Estação Central é o maior terminal de trens do mundo (em número de plataformas). A arquitetura é linda, com vitrais enormes que apesar de estarem no meio de prédios gigantescos, ainda trazem um pouco de luz para dentro. 

Grand Central Station (Encontre a maça) 

Grand Central Station

Dentre as coisas que mais gostei na cidade foram os "refúgios verdes". Não deve dar para contar nos dedos quantos se encontra por lá. 

Central Park 

Cauan e Vilson, Central Park. 

Pelas ruas...

TImes Square

O homem que vendia cobras, no metro. 

Memorial World Trade Center

Memorial World Trade Center

Acredito bastante quando dizem que estando aberto para o outro e para os momentos da vida, acabamos passando e conhecendo coisas que não estaríamos se andássemos com a cabeça para baixo. 

Este é Benito Loredo, 41 anos, hondurenho que vive nos EUA a cerca de 10 anos. Hoje, estuda direito e recebe do governo 90 dólares mensais para viver. Nos conhecemos no metro, indo para Manhatthan. Com sua imensa vontade de ajudar, Benito percebendo que não eramos de lá, nos deu a dica do trem expresso e depois de começarmos a conversar, nos acompanhou por todo o dia.  

Chegando no centro da cidade estava acontecendo um protesto a favor da Palestina. Meu sangue pulsou mais forte e a vontade de participar, fotografar e conhecer como eram os protestos fora do Brasil não poderia deixar com que eu fizesse outra coisa a não ser entrar no meio da galera. Mas, ops, não é bem assim. Todo o caminho que será marchado já está demarcado e a cada quadra em que os protestantes esperam para começar a caminhar, fecha-se uma cerca onde não entra mais ninguém se está muito cheio. 

E a passeata só começa quando os policiais dão o ok e seguem cercando e alargando as ruas para que o trânsito não seja totalmente atrapalhado. 

"Protestamos para tentar, de alguma maneira, liberar Gaza. Mesmo que a gente não viva no país, ele vive em nós." 

Welcome to CHINATOWN e sinta-se na China. 

Atravessando a ponte que leva ao Brooklyn já se nota, aos poucos, a diferença de uma região para a outra. A melhor coisa foi ter ficado por lá, muito mais calmo que o outro lado.  

Fico pensando sobre esses recados gravados em pontes, árvores e muros e também tenho vontade de deixar o meu. Como uma esperança de que um dia eu volte, talvez. Vai entender.

Ficamos na região central do Brooklyn, Bedford-Stuyvesant, com estações de metro por todos os lados que em 20 minutos nos levam para o centro de Manhattan. 

"Minha casa" por 5 dias.

As pessoas são super simpáticas no bairro, dão desde bom dia até boa viagem quando você passa com malas. E no final do dia todos estavam sempre foram de suas casas, com som alto (leia-se hiphops) nos seus carros enormes - porque lá todos tem carros enormes - e algumas até cumprimentavam, outras olhavam com cara de desconfiança... "o que fazem aqui?, mas, apesar disso, o clima foi sempre muito tranquilo e calmo. Principalmente calmo. 

Quase por fim, um retrato de esquina:

Foto: Ricardo Perini

Coney Island, para a minha surpresa, a praia de New York em 40 minutos :

Dos postais que a gente envia

ON THE ROAD 

Dia 1:  Valley of Fire, Zion Park e Bryce Canyon.

Entrada do parque com forma de pagamento "total confiança nos visitantes". Valley of fire. 

Valley of fire.

Zion Park

Estrada

Bryce Canion

Motel de filme de terror.

Antelope Canyon, um dos lugares mais lindos que já fui. E tudo embaixo dessa frestazinha ao lado direito da foto! 

Grand, Grand Canyon. Um dia é pouco para conhecer todas as vistas do parque, ele é realmente gigante. O que mais impressiona e diferencia dos outros é essa imensidão sem fim. Um dos pores do sol mais lindos que já vi, está lá. 

Por mais clichê que seja: eu não canso de me impressionar com a beleza de um pôr do sol. 

San Francisco. A cidade das pombas, pássaros e neblina.

E os letreiros luminosos seguem.

Golden Gate

O que vale.

Los Angeles: Hollywood

Não tenho muito para falar. é legal e só. 

Arrumei um amor por lá

Santa Monica e Venice Beach: Aí sim! 

Gostei mais de Venice. Mais lojinhas de artesanatos, artistas pelas ruas e não tão cheia quanto Santa Monica, que é ao lado. 

Já conhecia a fama dos policias de Los Angeles, mas por uma situação um tanto chocante para mim por lá.  Caminhando pela praia vi esse senhor (foto abaixo) dançando com seus fones de ouvido tão cheio de energia e feliz que foi impossível não tirar uma foto. 

Uns 20 minutos depois, quando passava pelo mesmo lugar, vi uma multidão em volta de onde o senhor estava sentado. Chegando mais perto entendi o que tinha acontecido: Ele havia tirado um guarda sol de algum lugar e colocado perto de seu banco. E por algum motivo, que eu ainda não encontrei, alguns policiais chegaram e agrediram o senhor colocando o ao chão e enfiando como que um fio em seu corpo, não sei ao certo o que é, mas era tão forte que os super oficiais passaram segurando o senhor apenas por esse fio. Fiquei tão chocada que nem tirar uma foto eu consegui na hora. A foto ao lado é do lugar onde ele estava, antes de ser levado. 

A cena de uns 7 policiais em cima do cara para colocar esse fio foi ridícula, não era necessário tudo isso, de verdade. Em volta o povo vaiava e filmava a ação com indignação. 

"Já vi fazerem isso com uns bêbados logo cedo aqui na praia, aí tudo bem. Mas esse senhor não estava fazendo nada, NADA." 

É, aí tudo bem.......... 

Santa Monica: a praia das pombas, pássaros e diversidade.

A céu aberto tem quem se troque com a ajudinha de um parente para colocar o sutiã depois de um banho de mar ou aqueles que levam a geladeira inteira para a praia, não muito diferente do que no Brasil. Com a diferença que aqui não é permitido levar bebidas alcoólicas, é claro. 

San Diego: a cidade para as férias de verão. Clima praieiro que é uma delícia!  

Infelizmente, só passei dois dias por lá. 

Depois de 20 dias nos EUA eu não via a hora de chegar em Guadalajara. E não poderia ter sido melhor do que eu esperava. Encontrei uma casa linda e aconchegante para morar, com uma mexicana e duas alemanas (mais eu e o Cauan, que estava comigo na viagem para os EUA), já conheci pessoas incríveis com quem tenho certeza que vou passar bons momentos por aqui e para ser ainda melhor, tenho diversas aulas interessantes, inclusive da coisa que mais gosto de fazer: fotografar. Sinto que fiz as escolhas certas quando o primeiro trabalho da Universidade é uma "fotoreportagem do bairro onde estou vivendo". 

Agora, me sinto livre para viver e conhecer tudo o que esse país vai ter pra me mostrar. To feliz, com saudades (já, sim), mas tranquila. Pois ao mesmo tempo me sinto em casa! 

Kaza Mezquitan 

Um beijo especial para o Vilson, Rajeev, Sophie, Benito, Pauline, Nathalia, Mel (companheira linda de viagem!), Matthew, Benjamin e Elijah. 

"Life is what we make it. Trips are travelers. What we see is not what we see, but what we are." 
thanks for all.

 

ARRIBA!

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Jacaré na Copa

Descendo do Metrô na estação Maria da Graça já se vê o verde e amarelo pelas janelas. "O Jacarezinho é logo ali, você ainda não viu nada". A comunidade, umas das maiores favelas do Rio de Janeiro, com cerca de 90 mil habitantes, está em clima de festa: ruas, casas, lojas e pessoas torcem não apenas pelo Brasil, mas por um novo Brasil. 

Um lugar aparentemente tranquilo, se não fosse pelo barulho ininterrupto de vuvuzelas - principalmente durante o jogo - ou um pagodinho alto, só pra relaxar. Pelas ruas, motos se misturam a toda velocidade junto com crianças, adultos, cachorros e todo o resto. 

O povo, como bons cariocas, hospitaleiros. "Tomem um cafézinho aqui depois do jogo", "A gente te acompanha até o metrô na volta, não se preocupe".

Na segunda, dia do jogo do Brasil, saímos  com a Débora, o David, o China e a pequena Barbara (parentes da minha amiga) pelas ruas de lá. Uma cena era comum: grandes TVs viradas para a rua por todos os cantos. 

É interessante que não assistimos o segundo tempo do jogo, mas em nenhum momento paramos de ouvi-lo. 

Galera, churrasco, cerveja e futebol.

E a cada gol, uma vibração maior.

Se eu fosse para o Rio de Janeiro e não conhecesse uma das comunidades, pra mim, não seria ir para o Rio. As praias são lindas, o Cristo é realmente muito alto e a Lapa é o lugar perfeito pra quem gosta de um bom samba. Mas a cidade é muito mais do que isso...

Dois dias é muito pouco pra conhecer a fundo uma comunidade. Mas é suficiente para ter algumas primeiras impressões. 

Me arrisco a dizer que me senti em casa. Mesmo com todos os problemas, desde os mais visíveis, como o lixo pelas ruas ou a falta de infra-estrutura das construções, até o tráfico, que ainda acontece, mas um pouco mais por baixo dos panos depois da entrada das UPPs, o clima me lembra de quando eu era criança e morava em Colombo. Eu ficava pela rua com meus vizinhos: andando de bicicleta, correndo de um lado pro outro e ouvindo os gritos das mães pedindo pra voltar pra casa, porque era hora de fazer lição ou para tomar cuidado.

As crianças de lá vivem assim. 

4x1. O jogo acaba e a festa pelo Jacarezinho está só começando. Pelo jeito, a noite vai ser longa por ali. 

E eu, vou me embora. Com a certeza de até breve. 

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Little Mermaid

Fotografar amigas é sempre um privilégio. Com a Pati não poderia ser diferente! Sexta passada fomos ao Pátio do Sol, a casa na qual o lindo do João e a querida da Carla moram. Uma casa simples, aconchegante e cheia de luz que iluminou não somente as nossas fotos, mas a nossa tarde por lá :)

Quando conheci a Pati, no começo do ano passado, já pensei "tenho que fotografar essa menina!". Não deu outra, já joguei a ideia e ela topou de primeira. Ficamos de marcar... Mas enroladas como somos, um tempinho depois o ensaio saiu. E o resultado tá aí! =) 

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Dessa vez tentei experimentar umas cores, diferente do pb que sempre prefiro, afinal o cabelo da pati merece um destaque, né não?

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Mas é claro que eu não resisto ao preto e branco. Parece que as fotos me dizem "PB!, PB!, PB!" e eu não tenho outra escolha. 

O Pátio do Sol é um espaço colaborativo que funciona como um laboratório de iniciativas sustentáveis. Projetos focados em educação, conscientização ambiental e desenvolvimento humano são realizados dentro do espaço. Curtam a página no Facebook (Pátio do Sol) e fiquem sabendo das próximas oficinas, aulas de yoga, almoços veganos e projetos que serão realizados por lá! 

Vale a visita! 

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É isso!

 

Um muito obrigada a Pati por confiar no meu trabalho, ao João por liberar a casa pra gente, a Carla e a menina alemã que nos receberam muito bem no dia que fomos lá e ao meu amigo Melvin que sempre me ajuda e apoia em tudo que eu faço!

 

Valeu! 

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